Solidariedade

Sem Solidariedade não há Fraternidade

Eventos que gerem comoção geral, como temos visto, recentemente, com inundações em cidades, a fuga das pessoas por causa de guerras, entre outras ocorrências trágicas, provoca momentâneas ações solidárias, individuais e coletivas, da sociedade e dos governos.

A palavra solidariedade traz consigo o sentido de responsabilidade mútua, interdependente, ligação recíproca, compartilhamento de ideias, de doutrinas ou de sentimentos, reciprocidade etc.

Somos todos irmãos é expressão que não encontra ressonância emocional naquele que assim não se vê com relação aos outros. Falta-lhe fundamento intelecto-moral para aceitar esse fato. Seu coração não registra esse sentimento.

A falta de solidariedade com a Natureza se dá pelo não reconhecimento que cada um de nós faz parte indivisível dela, e que, ao agredi-la, agride a si mesmo.

A indiferença entre pessoas, com o contexto social-humanitário, é um proceder daquele que não vê razão para mudar sua forma de ser. Sua formação moral lhe diz que deve ser cada um por si.

Sentimentos fraternos não florescem por modelo social imposto.

Na ausência do sentimento de solidariedade, o egoísmo predomina, pois que um é a ausência do outro.

A moral dos povos há que se renovar e fazer brotar, de todos os corações, a caridade e o amor do próximo e estabelecer entre os humanos uma solidariedade comum.

Com que fundamento se pode mudar a atual concepção comportamental, hoje calcada no egoísmo?

O despertar da consciência para a Imortalidade é a resposta.

A Doutrina Espírita é o roteiro seguro e revela o fundamento para a solidariedade e, por conseguinte, à fraternidade, ao afirmar[1]:

O Espiritismo dilata o pensamento e lhe rasga horizontes novos. Em vez dessa visão, acanhada e mesquinha, que o concentra na vida atual, que faz do instante que vivemos na Terra único e frágil eixo do porvir eterno, ele, o Espiritismo, mostra que essa vida não passa de um elo no harmonioso e magnífico conjunto da obra do Criador. Mostra a solidariedade que conjuga todas as existências de um mesmo ser, todos os seres de um mesmo mundo e os seres de todos os mundos. Faculta assim uma base e uma razão de ser à fraternidade universal…

Nessa ordem de ideia, a Doutrina Espírita apresenta, como lei natural, os princípios da solidariedade, da fraternidade e da igualdade.

O sentimento de solidariedade nos leva à antessala da fraternidade.

Fraternidade é irmandade, união.

Não há união sem solidariedade.

O exercício da solidariedade desperta o sentimento de fraternidade.

Jesus, ao enunciar[2]: Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim, confirma a solidariedade – união, inteireza, ligação recíproca – como lei de vida em harmonia, e aí se apresenta Ele como o Elo Sagrado que veio religar o homem a Deus.

Com a renovação do significado da vida, com a Imortalidade demonstrada pela Doutrina Espírita, o que antes era um simples e isolado evento no dia a dia de cada pessoa, é agora percebido como um elo que liga tudo a todos, qual uma teia que se espraia pelo infinito.

Espiritismo é a chave com o auxílio da qual tudo se explica de modo fácil.

Vivemos uma unidade indissociável como a unidade entre o sol e a luz do sol.

Unidade não deve ser confundida com uniformidade.

Diferença não significa separação.

Vejamos que os dedos são diferentes entre si e não estão separados das mãos, que não estão separadas do corpo.

O corpo, nesse exemplo, é a unidade harmônica, formado por diferentes membros, órgãos etc.

Sob a ótica do Espírito, a visão da unidade é o fim da pessoalidade com a irrecorrível dispensa de seu conselheiro de plantão: o egoísmo.

O sentimento egoico perde todos os argumentos diante da efetiva interdependência que temos uns com os outros, nações com demais nações, vida e Natureza.

Diante dessa lei natural que nos rege em um mundo solidário por natureza, por que retardamos a resolução pessoal por vivermos dentro de sua conformidade?

Solidariedade fraterna traz benefício pessoal pela lei de reciprocidade, que dita ser a semeadura livre e a colheita obrigatória, e ainda benefícios coletivos por gerar a harmonia da qual todos usufruem, uma vez que coletivos são os trabalhos humanos.

A interdependência é um valor mais forte do que a independência.

Eis o espírito genuinamente comunitário aos tempos de Jesus dentre nós[3]: E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns.

Sem solidariedade não há fraternidade.

Sem fraternidade, não há harmonia.

Sem harmonia, não há paz.

O vínculo com a paz, em nossos corações, é o abrigo seguro do sentimento de irmandade que harmonizará o viver da Humanidade.

O exercício da solidariedade fraterna é ação basilar dos que escolherem o reencontro com Deus, no dizer de Jesus, quando enunciou Sua grande síntese evolucionária[4]: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.

Referências:

1 KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2001.     cap. II, item 7.

2 BÍBLIA, N. T. João. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 1966. cap. 17, vers. 23.

3 Op. cit. Atos dos Apóstolos. cap. 4, vers. 32.

4 Op. cit. Mateus. cap. 22, vers. 37 a 40.

Fonte: Jornal Mundo Espírita


Convite à Solidariedade

“Trata-o, e quanto gastares de mais, na volta eu te pagarei. ” (Lucas: capítulo 15º, versículo 35)

São muitos os necessitados que desfilam aflições, aguardando entendimento e socorro.

Uns estão assinalados rudemente por deformidades visíveis que constituem a cruel recidiva de que precisam para aprender conduta e dever.

Outros se encontram sitiados por limitações coercitivas que funcionam como presídio correcional, a fim de os habilitarem para futura convivência social.

Alguns se apresentam com dificuldades no raciocínio e na lucidez, embora a aparência harmoniosa, como se fossem estetas da forma emparedando misérias mentais que os ensinam a valorizar oportunidade e bênção.

Diversos conduzem feridas expostas, abertas em chagas purulentas, com que drenam antigas mazelas e corrigem paixões impressas nos painéis do perispírito, submetido a terapêutica renovadora. . .

Vários estão estigmatizados a ferro e fogo, padecendo dores morais quase superlativas, em regime de economia de felicidade, exercitando as experiências da esperança.

Um sem número de atados à fome e à discriminação racial sob acicates poderosos, estão treinando humildade para o futuro.

Todos aguardando piedade, ensejo para conjugarem os verbos servir e amar.

Há outros, porém, esperando solidariedade.

São os construtores do ideal edificante, os servidores desinteressados, os promotores da alegria pura, os trabalhadores da fraternidade, os governantes honestos, os capitães da indústria forjados no aço da honradez, os pais laboriosos, os mestres e educadores fiéis ao programa do bem. . .

Sim, não apenas os que pagam o pretérito culposo, mas, sobretudo, os que estão levantando o Mundo Novo dos escombros que jazem no chão da Humanidade. Nobre e fácil chorar a dor ao lado de quem sofre.

Felizes, também, os que podem oferecer-se, solidários, aos que servem e amam ao Senhor, não obstante os diversos nomes e caminhos pelos quais se desvelam, operários da Era Melhor do amanhã ditoso.

Solidariedade, também, para com os que obram no bem.

Fonte: Convites da Vida Cap. 55 | Divaldo Pereira Franco pelo Espírito Joanna de Ângelis