Para ler e meditar

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  • Uns condenam a educação moderna, saudosos dos tempos em que as crianças obedeciam aos pais pelo olhar e tremiam diante do mestre. Outros aprovam a nova educação sem a conhecer e fazem do seu princípio de liberdade uma forma de abandono. Não há liberdade irrestrita, pois a liberdade só pode existir dentro das condições necessárias. Um home solto no espaço, livre até mesmo da gravitação, não pode fazer coisa alguma e perecerá na desolação. Para que ele tenha liberdade é preciso que esteja condicionado pelo meio físico, pisando a terra e aspirando o ar, condicionado pelo corpo e pelo meio familiar e social, e assim por diante.

    A educação antiga era uma forma de domesticação. As crianças eram tratadas como animais. A educação moderna, a partir de Rousseau, é uma forma de compreensão. O seu princípio básico não é a liberdade, mas a compreensão da criança como um ser em desenvolvimento. O seu objetivo não é o abandono da criança a si mesma e sim o cultivo paciente da criança, para que possa crescer sadia no corpo e no espírito. Os maus juízos sobre a nove educação provêm do seu desconhecimento pelos pais e pelos mestres, muitos dos quais não possuem aptidão para educar.

    Para os órfãos, o trecho

     

    Irmão Saulo ,Na era do Espírito.

     Francisco Cândido Xavier – HerculanoPires.

Tormentos da Depressão PDF Imprimir E-mail

 

Entre as aflições que martirizam a criatura humana, o transtorno depressivo apresenta-se com destaque na sociedade contemporânea.

Conhecido, desde priscas eras, alcança, na atualidade, índices muito elevados.

Vinculada a diversos distúrbios orgânicos e psicológicos, assola entre os indivíduos equipados de conhecimentos científicos e tecnológicos, ou não, no entanto, destituídos de autocontrole, de auto-identificação.

Confundida com a melancolia e a tristeza, não raro, trucida os sentimentos da sua vítima, empurrando-a ao suicídio indireto, mediante o abandono dos interesses existenciais, ou diretamente, graças ao salto no abismo da alucinação.

Os gregos identificavam-na como melancolia, em razão de acreditarem tratar-se do excesso de bílis negra - conceito apresentado por Galeno, no seu estudo em torno dos quatro humores - lendária herança de Adão.

No primeiro quartel do século XX, o eminente psiquiatra alemão Emílio Kraepelim, diante de pacientes que apresentavam manifestações psicóticas, nas quais acreditavam encontrar-se com partes do organismo sem funções, a ponto de recearem alimentar-se para não se verem constrangidos à eliminação conforme se dera a ingestão, denominou esse quadro como um estado de melancolia delirante.

A tristeza, por outro lado, é uma emoção natural, em face dos problemas e dificuldades que se apresentam na existência de todas as pessoas, como decorrência de desencantos, de choques, de insatisfações, normalmente de curta duração.

Logo cessam os efeitos morbosos do acontecimento que a desencadeia, cede lugar aos fenômenos normais do comportamento.

É compreensível que existam as emoções de tristeza como decorrência imediata dos conflitos e dores que ocorrem no processo existencial, não afetando, porém, os sentimentos profundos.

Em diversas ocasiões, portadores de alienação mental apresentam-se, também, como deprimidos, em razão de serem melhor aceitos, fugindo à realidade o problema que os atormenta.

A depressão, no entanto, é um transtorno mais profundo, no qual diversos fatores contribuem para a perda da afetividade, da alegria e para o mergulho no ensimesma mento, num total desinteresse pela existência.

Pode ser resultado de fatores hereditários, como de ocorrências psicossociais e econômicas, de ansiedade e estresse, de culpa atual ou anterior, de conflitos e receios reais ou infundados, como também no caso de enfermidades graves produzindo disfunções cerebrais, nas suas áreas nobres, que resultam em perturbação das neurotransmissões.

Na sua trajetória desgastante, a depressão complica ou dá surgimento a manifestações patológicas de natureza cardíaca ou ao diabetes.

É comum encontrar-se na depressão uma forma de tristeza, porém, doentia, irresistível, sem causa que a justifique.

A depressão deve ser cuidada por especialistas nas áreas da psicologia, da psicanálise ou da psiquiatria, conforme se apresente o torpe fenômeno.

Considerando-se a criatura como um Espírito encarnado, nele encontra-se toda a historiografia do seu processo de evolução, suas conquistas e prejuízos ao largo das reencarnações, exigindo atenção.

Os conflitos mais graves que procedem do passado instalam distúrbios nos mecanismos sutis da cerebração, dando surgimento ao processo depressivo.

Mesmo em se considerando os fatores da hereditariedade e os de natureza exógena, é o Espírito o desencadeador do transtorno martirizante, cabendo-lhe a responsabilidade de reverter o quadro, mediante grande esforço da vontade, acompanhado pelos recursos preciosos da oração e da ação do bem, com os quais adquire valores que podem contrabalançar o erro e recuperar-se das dívidas morais...

Concomitantemente, deve-se levar em conta a interferência de Espíritos vingadores ou viciosos, que se encontram na economia moral de muitas vidas, em razão dos compromissos que vigem entre todos os seres, especialmente aqueles que foram vítimas de abusos e de crimes não justiçados, caso os houvesse justificáveis.

Nesse aspecto, as obsessões campeiam, gerando quadros depressivos lamentáveis, que se arrastam longamente, sem aparente solução, porque não são removidos os fatores que os desencadeiam.

Normalmente entre os indivíduos que não possuem fé religiosa, mais facilmente se instalam esses processos, como decorrência da falta de resistência espiritual para os enfrentamentos que lhes são necessários superar. Quando, porém, a têm, a concentração nos ideais superiores e o intercâmbio vibratório com a Divindade facultam imunização às investidas dos adversários desencarnados, às culpas e a outros conflitos que neles se encontram vigorosos, desde que encontram conforto moral na oração e na visualização do futuro melhor através do esforço pela própria renovação.

Mesmo quando atingidos pelo rude transtorno, desse que ninguém se encontra em regime de exceção no mundo físico, mais facilmente renovam-se, e, confiando em Deus, enfrentam a situação com outra disposição interior, que lhes facilita a superação da conjuntura penosa.

A depressão é por isso mesmo, perigosa, porque pode apresentar-se sutil, mascarada, agravando-se na sucessão do tempo ou surgindo em um surto perturbador de graves conseqüências.

Toda vez, portanto, quando sintas uma tristeza angustiante sem um motivo que a justifique, reage, retomando a disposição da alegria ou renovando-te pela prece e pelo trabalho do bem.

Quando pensamentos insidiosos e insistentes predominarem em tuas paisagens mentais, convidando-te à fuga dos relacionamentos, dos compromissos de qualquer ordem, vigia e age, porque estás sob as garras perversas do transtorno perigoso.

Ele pode apresentar-se também através de episódios de insônia, de irritabilidade, de insatisfação, não apenas de melancolia e perda da auto-estima, porém de cansaço prolongado e sem gênese em que se fundamente.

Igualmente, pode surgir em períodos festivos - aniversários, datas alegres, celebrações convencionais do calendário, tornando-se sazonal - ou em fases menos alegres - dias penumbrosos, invernos demorados...

Ainda surge em organizações femininas pré-menstruais, antes do parto ou depois, tornando-se perigoso pelo desencadear de alucinações e desordens de conduta.

A depressão é rude prova para o espírito, que a deve enfrentar com galhardia, recorrendo ao arsenal terapêutico da Medicina e do Espiritismo.

O rei Saul, que padeceu tormentosa depressão, acalmava-se ante o cântico dos salmos e as melodias entoadas por Davi, não tendo, porém, conseguido fugir à fatalidade da desencarnação em guerra infeliz...

Depressivos célebres, na literatura, na arte, na ciência, na tecnologia, em todos os ramos do conhecimento, sem resistências espirituais, derraparam no suicídio hediondo, buscando fugir das inomináveis sensações que os atormentavam.

Enfrenta, desse modo, a depressão, com coragem e valor, não fugindo da sua presença, nem procurando ignorá-la.

A psicoterapia do amor, da alegria de viver, seja em qual for a circunstância, do convívio com as reflexões profundas e a comunhão com Deus, são os antídotos e, ao mesmo tempo, a terapia preventiva para a cruel epidemia que se espraia no mundo dito civilizado ou não...

 

 

Iluminação interior

Joanna de Ângelis

Divaldo Pereira Franco