Para ler e meditar

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  • Uns condenam a educação moderna, saudosos dos tempos em que as crianças obedeciam aos pais pelo olhar e tremiam diante do mestre. Outros aprovam a nova educação sem a conhecer e fazem do seu princípio de liberdade uma forma de abandono. Não há liberdade irrestrita, pois a liberdade só pode existir dentro das condições necessárias. Um home solto no espaço, livre até mesmo da gravitação, não pode fazer coisa alguma e perecerá na desolação. Para que ele tenha liberdade é preciso que esteja condicionado pelo meio físico, pisando a terra e aspirando o ar, condicionado pelo corpo e pelo meio familiar e social, e assim por diante.

    A educação antiga era uma forma de domesticação. As crianças eram tratadas como animais. A educação moderna, a partir de Rousseau, é uma forma de compreensão. O seu princípio básico não é a liberdade, mas a compreensão da criança como um ser em desenvolvimento. O seu objetivo não é o abandono da criança a si mesma e sim o cultivo paciente da criança, para que possa crescer sadia no corpo e no espírito. Os maus juízos sobre a nove educação provêm do seu desconhecimento pelos pais e pelos mestres, muitos dos quais não possuem aptidão para educar.

    Para os órfãos, o trecho

     

    Irmão Saulo ,Na era do Espírito.

     Francisco Cândido Xavier – HerculanoPires.

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Em observando qualquer edificação ou ser­viço, Maria Cármen não faltava à crítica.

 

      Ante um vestido das amigas, exclamava sem-cerimônia:

      - O conjunto é tolerável, mas as particula­ridades deixam muito a desejar. A gola foi extremamente malfeita e as mangas estão defei­tuosas.

      Perante um móvel qualquer, rematava as observações irônicas com a frase:

      - Não poderiam fazer coisa melhor? E, à frente de qualquer obra de arte, encon­trava traços e ângulos para condenar.

A Mãezinha, preocupada, estudou recursos de dar-lhe proveitoso ensinamento.

Foi assim que, certa manhã, convidou a filha a visitar, em sua companhia, a construção de um edifício de vastas linhas. A jovem, que não podia adivinhar-lhe o plano, seguiu-a, surpreendida.

Percorreram algumas ruas e pararam diante do arranha-céu a levantar-se.

A senhora pediu a colaboração do enge­nheiro-chefe e passou a mostrar à filha os vários departamentos. Enquanto muitos servidores abriam acomodações para os alicerces, no chão duro, manobrando picaretas, veículos pesados transportavam terra daqui para ali, com rapidez e segurança. Pedreiros começavam a erguer pa­redes, suarentos e ágeis, sob a atenciosa vigilân­cia dos técnicos que orientavam os trabalhos. Caminhões e carroças traziam material de mais longe. Carregadores corriam na execução do dever.

O diretor das obras, convidado pela matrona a pronunciar-se sobre a edificação, esclareceu, gentil:

- Seremos obrigados a inverter volumoso capital para resgatar as despesas. Requisitare­mos, ainda, a colaboração de centenas de traba­lhadores especializados. Carpinteiros, estucado­res, vidraceiros, pintores, bombeiros e eletricis­tas virão completar-nos o serviço. Qualquer cons­trução reclama toda uma falange de servos de­dicados.

A menina, revelando-se impressionada, res­pondeu:

- Quanta gente a pensar, a cooperar e servir!...

- Sim - considerou o chefe, sorrindo expressivamente -, edificar é sempre muito difícil.

Logo após, mãe e filha apresentaram as despedidas, encaminhando-Se, agora, para velho bairro.

Vararam algumas travessas e praças menos agradáveis e chegaram à frente de antiga casa em demolição. Viam-se-lhe as linhas nobres, no estilo colonial, através das alas que ainda se achavam de pé. Um homem, apenas, ali se en­contrava, usando martelo de tamanho gigan­tesco, abatendo alvenaria e madeirame. Ante a queda das paredes a ruirem com estrondo, de minuto a minuto, a jovem observou:

- Como é terrível arruinar, deste modo, o esforço de tantos!

A Mãezinha serena interveio, então, e falou, conselheiramente:

- Chegamos, filha, ao fim do ensinamento vivo que buscamos. Toda a realização útil na Terra exige a paciência e o suor, o trabalho e o sacrifício de muita gente. Edificar é muito difícil. Mas destruir e eliminar é sempre muito fácil. Bastará uma pessoa de martelo à mão para prejudicar a obra de milhares. A crítica destru­tiva é um martelo que usamos criminosamente, ante o respeitável esforço alheio. Compreendeu?

A jovem fez um sinal afirmativo com a cabeça e, daí em diante, procurou ajudar a todos ao invés de macular, desencorajar e ferir.

                                                                                                                                                     Alvorada Cristã

                                                                                                                Francisco Candido Xavier

                                                                                                                Pelo Espírito de Neio Lúcio Cap. 19